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sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

asas

Liberation - M. C. Escher


Ser Ruiva é uma revolta (in)voluntária numa terra de morenos. Ergo, insolente e orgulhosa, minha flamejante cabeça de mulher.

Habita um selvagem em mim, a quem dou vazão sempre que minha alma transborda a razão. Conheço tantos que fazem de seu peito uma gaiola. Sua fera luta arduamente e clama por liberdade, cravando as garras nas suas carnes. E eles ocupam, atordoados, seus dias, esperando ansiosos para que venha o cansaço e a fera adormeça.

Andam por aí contidos, evitando o perigoso movimento que pode acordar o indomável e reavivar a batalha, a cada dia mais insana, da busca pela liberdade. O corpo lhes arde como terra em chamas.

E é como terra devastada que ficam quando a fera finalmente desiste e se resigna à prisão. Vagando desolados pelo mundo que só enxergam como cinzas, fingindo não perceber que o ermo deste mundo habita seus próprios peitos. E que a vida é plena de oportunidades para quem não a teme.

Com minha coroa incendiária e minha alma selvagem, sigo para onde for. É a minha revolta voluntária contra quem pouco quer e pouco se permite.


(01/08/2006)



rare, mutant gene from neanderthals

From Telegraph


General Custer was one. So was Napoleon Bonaparte. Underneath Oliver Cromwell's severe helmet was a mass of red hair. Cleopatra used henna to enhance her auburn tresses, while Christopher Columbus took ginger hair to America.

But while fiery-headed leaders, artists, poets and disc jockeys crop up with alarming regularity, evidence is emerging that red hair may be a relatively new phenomenon for mankind.



According to the most recent estimates, the first red hair sprouted just 20,000 years ago, long after the advent of modern homo sapiens and towards the end of the last great ice age.

Some have even argued that redheads such as Nicole Kidman, Charlie Dimmock, Chris Evans and Neil Kinnock could have inherited a trait originally passed on to modern man by the Neanderthals.

The secret history of redheads is one of the topics explored at the Hair Affair, a half day of talks and workshops exploring the science of hair, organised by the Royal Institution and L'Oréal and supported by The Daily Telegraph on October 25.

The redhead roll call makes for impressive reading. It includes Vincent Van Gogh, Henri Matisse, William Blake, Lord Byron, James Joyce, J K Rowling, Jean Paul Sartre, George Bernard Shaw, Bette Davis, Katharine Hepburn, Marilyn Monroe, Elizabeth I, Queen Victoria and William the Conqueror.

Despite the old folk tale that redheads are the result of interbreeding between brunettes and blonds, hair colour is actually determined by a more subtle genetic influence.

Like skin colour, hair colour comes from the pigment melanin and, in particular, two types: eumelanin, the most common form, ranges in colour from brown to black, while pheomelanin is red or yellow.

Hair and skin colour arise from the balance of these two types and the total amount of melanin produced. White skins produce less melanin than dark skins. Japanese black hair is almost entirely made of eumelanin, while Irish red hair has almost only pheomelanin.

Melanin is a good sun block, preventing damage from ultraviolet rays. The pigment is unlikely to have evolved as a protection against skin cancer (which threatens life long after reproductive age and so would be unlikely to be selected against in evolution) but might protect against burns, secondary infection and loss of fluids.

Several years ago Jonathan Rees, professor of dermatology at Edinburgh University, and colleagues discovered a gene responsible for melanin production, the melanocortin 1 receptor (MC1R).

If someone has one of about four of five variations of this gene, and if the variation is inherited from both parents, then they are likely to be red haired. If the variation has been inherited from just one parent, they have an increased chance of being red haired. What was surprising was how recently this genetic trait first appeared.

"We don't know with certainty when the first redheads walked the earth," says Prof Rees. "But we believe these changes arose in less time than we thought, maybe 20,000 to 40,000 years ago."

The red-headed gene mutation is rarely found in people of African descent. Evolutionary experts have argued that it cropped up after ancestors of white Europeans left the continent and moved northwards around 70,000 to 100,000 years ago.

"The explanations generally fall into two groups," says Prof Rees. "The first is that there may have been some advantage to having red hair and pale skin. One reason for this is that you make vitamin D in your skin and therefore you're less likely to get rickets if you have pale skin and there is not much sunlight around."

The team's analysis of the red-headed gene, however, found little evidence that red hair and pale skin were a positive trait added to mankind's genetic heritage by natural selection outside Africa.

The clue came from an analysis of codons - the sequences of DNA or RNA that provide the recipe for any one of the 20 amino acids that form the building blocks of proteins. The sequences consist of three base pairs of DNA - three "letters" of the genetic code. Two of these letters are crucial to the make-up of the amino acid. But some changes in the third base pair make little difference to the end result - the equivalent of spelling tic with a K instead of a C.

By studying the ratio of changes in this third base with the changes in the other two base pairs, it is possible to identify genetic traits that are the result of natural selection and those that have just cropped up by chance.

"With the redhead gene, you don't see any evidence for selection. The changes we see are compatible with just random change," said Prof Rees. "The gene is more important in Africa than it is in Europe. You mustn't have pale skin and bright red hair in Africa. That would make sense."

Of course, red hair is not exclusively found in pale-skinned people. In Jamaica, there are families with deep brown skin and bright red hair. On the island, the red-hair gene was brought from Europe a few hundred years ago, possibly by white sailors who fathered children there.

If the Edinburgh team are right, and the redhead gene originated only 20,000 to 40,000 years ago, it may kill off a theory that emerged last year - that the red-hair gene originated in the Neanderthals.

The idea was based on a claim that the gene was at least 100,000 years old and so may have been present before modern man left Africa. To pass into our DNA, our ancestors would have had to have interbred with Neanderthals - an unfashionable theory among the experts in human origins.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

lento e tortuoso declínio de uma selvagem

Para um anti-social que me exorta a ser social. Que não é ruivo, mas é marginal.

Se eu sentisse que escolhi esta vida, talvez ela não me fosse tão penosa, tão pesada. Parece que ainda estou tentando me adaptar à uma situação que aconteceu depressa demais, porém sei que não é verdade. Já não é mais verdade, embora tenha sido, há alguns anos, quando você me disse que minha vida parecia um bonde rumando velozmente, enquanto eu tentava, sem sucesso, um lugar dentro dele.


Hoje, muito mais que um mero assento no bonde, sei que me apropriei dele de tal forma que quase podemos dizer que o conduzo. Mas é quase, é quase! Pois, não é este o caminho pelo qual eu queria seguir, muito menos este um bonde que planejava conduzir. Estou a serviço deste bonde, mas ele não me leva a lugar algum que eu tenha desejado. Se é que eu ainda seja capaz de reconhecer o que desejo.


Minha vida anterior não era de gozo e prazeres apenas; era de trabalho árduo, de solidão, de liberdade, de escolha, responsabilidade e também, também!, gozo e prazeres! Hoje eu os tenho? Uma ruiva selvagem, que sabia seguir o que queria, sabia negar o que não queria, arcando com todas as responsabilidades das suas escolhas. Inclusive, a de ser só. Social quando queria, anti-social quando me enojava; acompanhada na folia e invariavelmente só no trabalho e na dureza. Por escolha.


Por escolha e barbárie, podia dar de ombros às convenções sociais cretinas, aos malabarismos fúteis, ao irritante cacarejar no galinheiro social. Veja o que eu sou agora! Uma senhora burguesa! Qualquer selvagem, que conserve um resquício que seja de sua natureza indomável, sente-se aprisionado e impotente dentro da pele de uma senhora burguesa! E quem há de vir me dizer que a gente escolhe a vida que tem? Ou é esse a quem chamamos de Deus que faz as piadas mais tortuosas com aqueles pobres mortais que ousam sonhar um pouco além?


Uma senhora burguesa que nem é burguesa, pois tem que trabalhar arduamente para ajudar a prover o sustento da família. Uma perfeita senhorinha burguesa pagaria com mais facilidade a escola das suas filhas, não teria dívidas nem parcos bens. Cadê o cabeleireiro e o maquiador de plantão? Meus deveres nós conhecemos bem, devo ser a esposa inteligente e companheira do marido, devo ser a cunhada acolhedora, a boa filha, a mãe paciente, devo sorrir agradavelmente para aqueles me reservam a mais solene ignorância, enquanto dedicam patética e reverencial adoração ao senhor meu marido. E, como não convém nem um pouco a uma senhora burguesa, devo também cuidar da empresa do meu marido, ser sua agente de relações públicas, defender seus interesses, orar pela sua saúde, vigiar suas costas e trazer um pouco de bom senso para quem é, essencialmente um gênio público com um certo comprometimento emocional. Ah, para quem já não é pessoa física, mas pública. Um pouquinho autista. Esquecido da sua senhorinha. Adorável distraído.


Meu intestino grita, minhas entranhas se retorcem porque se recusam a se acomodar neste corpo de senhora burguesa, que já até se tornou roliço, para que possa arcar com os deveres da senhorinha e da mula. Isso, mula. M-U-L-A, daquelas de carga mesmo.

Se for para ser mula, que eu pelo menos possa dar meus coices! Que se dane essa gentalha que acha que pode apontar seu dedo acusador e me julgar por ter demorado a retornar um telefonema, quando minha cabeça está pegando fogo e meu corpo caindo do abismo. Todo mundo tem seus problemas? Sim, sim, eles têm! Eu também tenho e quero gritar um “DANE-SE” para todos eles, desde que me deixem em paz. Ninguém vem me oferecer ajuda mesmo. Tampouco estou pedindo nada, apenas que não me venham com mais demandas. E inúteis.


Se for para ser a senhorinha, que eu seja de porcelana e que me tratem como a um bibelô, por favor. Que eu sou frágil, não posso ser exposta ao sol e sei me comportar como uma verdadeira madame em todos os aposentos públicos. E sei me tornar profana na alcova. Daí, sim, talvez eu consiga engolir o asco e curvar-me até com gosto, quem sabe?, às tais convenções e à dança social.


Nós, que já passamos do básico, não vamos cair na tentação de dizer que minha revolta é um traço de adolescência tardia e que eu quero apenas uma vida de gozo e prazeres. Eu quero é minha liberdade de volta. Eu quero é poder dar de ombros, é poder ser selvagem, é poder ser louca quando me der vontade. Porque quem paga minhas contas sou eu, quem se deita comigo sou eu e quem agüenta meus pensamentos extravagantes sou eu. Quem acorda de noite assustada pelos meus demônios sou eu e quem cuida, vela e teme pelas minhas crias sou eu.


Eu sou selvagem e estão matando isso em mim. A civilização vai acabar com a minha espécie. Os ruivos são atávicos, seremos extintos e essa terra de morenos e falsas loiras gosta demais da superficialidade. Nós, os ruivos selvagens, estamos fadados a morrer. Extintos. De tédio. De desgosto.


É isto. Estou em revolta. E minha raça está em declínio.